*Amanda Giomo Delalata
Todos os dias, muitas mulheres administram uma agenda que parece não ter fim. Consulta dos filhos, compromissos do companheiro, cuidados com os pais idosos, trabalho, casa, família. São tantas demandas que, quase sem perceber, elas próprias acabam ficando para depois.
“Depois eu marco minha consulta.” “Quando tiver tempo, faço meus exames.” “Agora não dá, tenho outras coisas para resolver.” É nesse “depois” que o Outubro Rosa pode ganhar um significado maior. Além de lembrar a mulher sobre a prevenção do câncer de mama, a campanha pode ser um convite para que ela olhe para si.
Os números mostram a dimensão do problema. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no triênio 2026-2028. Em 2023, foram registrados mais de 20 mil óbitos pela doença. Os dados alertam que informação, prevenção e diagnóstico precoce continuam sendo fundamentais.
Mas existe também uma dimensão emocional nessa discussão. Cuidar da própria saúde não pode ser interpretado como egoísmo, negligência com a família ou perda de tempo. Ao contrário: cuidar de si é reconhecer que também somos alguém que precisa de cuidado.
Talvez seja essa uma das conversas que precisamos ampliar durante o Outubro Rosa. Não se trata apenas de falar mais sobre mamografia, mas de falar sobre a mulher que existe por trás do exame. Aquela que muitas vezes conhece as necessidades de todos, mas tem dificuldade de reconhecer as próprias.
A campanha já conseguiu colocar o câncer de mama em evidência e estimular o interesse da população pelo tema. O próximo passo pode ser transformar informação em uma relação mais consciente com a própria saúde.
Por isso, neste Outubro Rosa, o convite é simples: olhe para dentro. Observe seu corpo, respeite seus limites, procure orientação profissional quando necessário e não deixe seus cuidados sempre para depois. Porque cuidar de si não significa abandonar quem precisa de você, significa reconhecer que você também precisa de você.
*Amanda Giomo Delalata é psicóloga do Centro de Psicologia e Terapias Integrativas Psico Benedita Fernandes





